terça-feira, 1 de abril de 2014

Momento ternura

Domingo de manhã.

Mãe tentando recuperar o sono e a sanidade perdidos.

Pai ocupado sabe-se lá com o quê.

Filho #1 assistinho filminho na televisão.

Filho #2 dormindo no carrinho, depois do passeio matinal com o cachorro.

Filho #2 acorda chorando.

Filho #1 vai chamar o pai, que responde com um "já estou indo".

Silêncio novamente na casa.

Pai vai ver o que acontece.

Filho #2 ainda no carrinho, tranquilo, olhando para o teto.

Filho #1 cantando e empurrando o carrinho.

Declarações de amor do filho #1 para o filho #2.

Abraços e beijos do filho #2 no filho #1.

Mãe e pai inundados de tanto amor.

Mãe e pai tendo certeza de que alguma coisa certa eles estão fazendo.

E depois de alguns minutos, volta-se à bagunça, gritos e empurrões habituais. Porque se amam, mas continuam sendo irmãos.  

sexta-feira, 28 de março de 2014

Até quando?

O assunto de hoje não é bebezístico, mas acredito que diga respeito a todas nós.

Ontem os grandes portais divulgaram uma pesquisa feita pelo Ipea em que 65% dos entrevistados concordaram que mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas. No meu facebook pessoal compartilhei o artigo do UOL, escolhido apenas porque ele ilustra o texto com imagens retiradas do tumbler de Grace Brown, que reúne retratos de pessoas abusadas sexualmente segurando cartazes com as frases ditas por seus agressores. E eu acredito que as estatísticas muitas vezes se tornam um tanto quanto abstratas, mas quando a gente dá cara para as vítimas, a coisa muda de figura.

Não sou boa em matemática, mas 65% é algo próximo de duas em cada três pessoas. Ou seja, aproximadamente duas em cada três pessoas acham que, por uma mulher estar com uma roupa muito curta, ou um decote muito amplo, ou uma roupa normal num lugar "perigoso", ou com uma atituda "permissiva" (porque é tudo a mesma coisa), essa mulher MERECE ser atacada. ME-RE-CE.

Isso tem nome. Chama-se culpabilização da vítima. É meio complicado explicar o que é culpabilização da vítima, então ontem eu, sozinha com meus botões, tentei fazer uma analogia. E a primeira coisa que me veio à cabeça é que seria como eu culpar o bolo de chocolate por eu tê-lo comido. Eu que comi o bolo, mas a culpa foi dele, que ficou ali na vitrine de doces, me provocando. Não importa se eu estou tentando emagrecer, se sou diabética ou se por qualquer motivo não posso comer bolo. Eu comi e a culpa é do bolo por ser gostoso e ter passado na minha frente.

Só que essa analogia é completamente tosca. E é justamente por ela ser tosca que se torna reveladora. Quando comparamos (e eu comparei!) pessoas, seres humanos, à bolo de chocolate, estamos nos aproximando da questão: pessoas não são coisas das quais podemos usufruir da forma que bem entendermos! Porque eu posso comer um bolo de chocolate se eu quiser (inclusive tendo que lidar com a culpa e responsabilidade de tê-lo comido depois). Mas eu não posso lidar com outro ser humano da mesma forma. Porque o outro não é um objeto, é um sujeito. Um sujeito com seus próprios desejos, sentimentos, pensamentos e crenças. E é disso que se trata: mulheres sendo objetificadas.

Outro dado aterrorizante que consta na pesquisa, é que 66,5% das pessoas que a responderam eram, justamente, mulheres. Ou seja, voltando à nossa analogia tosca, é o pão com manteiga falando do bolo de chocolate! Sem nem mesmo se dar conta de que são a mesma coisa. De que hoje o agressor quer comer o bolo de chocolate, mas amanhã ele pode querer pão com manteiga. Porque para eles ~tanto os agressores de fato quanto quem acredita que eles têm o direito de fazer o que fazem~ mulheres estão aí para servir e ser desfrutadas, completamente destituídas de sua subjetividade e humanidade.

Mais um dado: 27% acham que a mulher deve satisfazer o marido na cama mesmo quando não tem vontade. Ou seja, aproximadamente uma em cada quatro pessoas acredita que o corpo da mulher pertence a seu marido.

Gente, vamos parar pra pensar nisso tudo? Porque enquanto nós, mulheres, continuarmos pensando e agindo assim, enquanto nós não nos posicionarmos como sujeitos de nossa própria vida e de nosso próprio corpo que somos, e enquanto não pudermos reconhecer isso no nosso semelhante que muitas vezes é tão diferente de nós, isso nunca vai mudar.

terça-feira, 18 de março de 2014

O que é de cada um.

Um é tagarela. Parece que nasceu falando e não parou nunca mais. O outro, mal e porcamente fala uma meia dúzia de palavras. Quer dizer, murmura (as palavras, porque gritar ele também sabe bem).

Um é alpinista. Sobe no alto do sofá, cadeira, mesa, armário, grades, árvore e o que mais for subível. O outro é cauteloso, tem que conhecer muito bem o ambiente e suas próprias habilidades para se jogar no espaço.

Um é dorminhoco. Dá um trabalhão pra acordar de manhã e tá sempre com a tromba amarrada nos primeiros momentos do dia. O outro já acorda no pique, de preferência bem cedinho, querendo saber o que temos de bom pra hoje.

Um gosta de andar, explorar, sair correndo. O outro, se puder, prefere ir de carrinho.

Um é mais seletivo pra comer. O outro experimenta de tudo e, se for gostoso, come até pedra.

Um gosta de jogar, montar, entender, pensar e encontrar soluções. O outro prefere pisar em cima dos jogos. Ou desmontar. Ou espalhar todas as peças pelos cantos da casa.

Um tem medo de tudo. Vê siri na praia e sai correndo. Vê uma joaninha na sua perna e chora descontroladamente. Outro é corajoso. Foi o siri na praia que saiu correndo dele, e a pobre da joaninha, coitada, quase não vive pra contar a história.  

Um é determinado. O outro mais ainda.

Os dois são extremamente carinhosos.

Os dois têm grande dificuldade em ouvir - e cumprir! - nãos.

Os dois elegeram jiu-jitsu como o esporte da vez lá em casa. Rolam pelo chão, numa mistura de brincadeira com brigadeira que invariavelmente acaba em choro. E depois se desculpam e se abraçam.

Os dois amam água: piscina, mar, chuveiro, banheira, poça de lama. (E sinceramente, a poça de lama eles podiam pelo menos tentar pula, né?)

Os dois são inteligentes e espertos, cada um a sua maneira.

Esses dois são a parte mais colorida do meu mundo.


(E você, sabe quem é quem aqui em casa?)



segunda-feira, 10 de março de 2014

Sobre o trabalho e os ciclos da vida

Eu contei aqui e ali sobre as novidades do meu trabalho, mas ainda não vim explicar de fato do que se trata, não é?

Pois bem, acho que isso merece não só um post, mas também uma breve introdução sobre o meu percurso profissional.

Dez anos atrás me formei psicóloga pela USP. Dentro da psicologia clínica, que tem uma enormidade de variações e vertentes, sempre estudei psicanálise. Não aquela psicanálise clássica, até clichê, mas a psicanálise que me fazia - e continua fazendo - sentido enquanto pessoa e profissional. Uma psicanálise menos preocupada com o setting  e mais ocupada com a escuta em si, com o tornar-se sujeito, com as mudanças que podemos empreender em nossas vidas através dela, com o que eu poderia chamar de viver melhor.

Porque para mim estar em análise ou em psicoterapia é isso: estar em busca de viver melhor.

Paralelamente ao consultório (e a tudo o que ele implica: análise pessoal, supervisão, estudo tanto em grupo quanto em instituições), trabalhei também em outros lugares, sendo alguns anos em um cursinho pré-vestibular com atendimento em sistema de acolhimento e orientação profissional.

Eu gostava muito do trabalho no cursinho, mas não voltei quando terminou a licença maternidade do Raphael, por motivos que talvez algumas de vocês já tenham se deparado: vontade de estar perto, cuidar pessoalmente e amamentar meu bebê versus trabalho que me realizava mas não compensava financeiramente.

Desde então, mantive o consultório, mas aos poucos fui percebendo que meu enfoque se tornou outro: a maternidade. Grande parte do tempo e da energia que antes eu despendia desvendando os textos do Lacan, agora eu usava para ler, escrever e discutir sobre o tornar-se mãe e outras maternices.

Demorei a me dar conta de que algo aí estava deslocado. Sim, eu posso continuar a estudar Freud, Lacan e tantos outros autores (sempre!), mas como juntar uma coisa com a outra? A psicanálise com a maternidade?

O primeiro passo foi absolutamente interno e introspectivo. Não foi uma resolução, algo planejado ou mesmo pensado. Deu-se de forma lenta, gradual e contínua. Percebi que para juntar essa paixão pelos temas maternais ao meu trabalho eu precisaria ter com as outras mães a mesma postura que tenho com meus clientes no consultório: a escuta livre de julgamentos.

E isso não é fácil. E não é fácil basicamente por dois motivos. O primeiro deles, que o meu desejo de trabalhar com gestantes e mães vai de encontro à uma identificação pessoal (e sim, quase sempre é assim com psicólogos e psicanalistas, às vezes não tão escancarado, muitas vezes não tão consciente). O segundo motivo, que conforme a gente lê, estuda, participa de grupos virtuais, e entra nesse mundo cheio de polêmicas, às vezes fica difícil não ceder à tentação que achar que sabe mais que a outra, que tem a melhor informação ou que há um jeito melhor e um jeito pior de fazer as coisas.

Foi uma grande mudança interna, que criou outro filtro, outra forma de ver as coisas. Passei a perceber um tanto de agressividade entre as mães que talvez eu não percebesse - ou até compactuasse - antes. Muito além dessa "guerras das mães" tão falada nos últimos tempos por aí, muito além das tentativas de reparação pelas próprias mães (em que o lapso aparece mesmo quando mães se organizam para tentar se colocar no lugar das outras e não julgar as escolhas que diferem das delas próprias, pois quando afirma-se que tudo depende da qualidade da informação que se tem para tomar decisões, se está, de novo, atribundo juízos de valor, mesmo que sem intenção).

O que percebi é que são raros os espaços de acolhimento. E eu digo de acolhimento verdadeiro, acolhimento às angústias, ao diferente, àquilo que nos escapa, à nossa sombra (para usar o termo tão em voga).

E é aí que entra o meu trabalho. É nessa hiância que eu me coloco, na espectativa de que minha escuta atenta e sensível possa sinalizar à este sujeito um caminho, um novo e possível caminho para se posicionar frente às suas próprias demandas e desejos.

No que então difere o atendimento comum de um atendimento para mães? No fato de que existe algo que passa por uma especificidade comum à algumas mulheres: as que querem ter filhos (e muitas vezes demoram ou não conseguem), as que estão grávidas, as que estão atravessando o puerpério com um bebezinho nos braços, as que precisam lidar com perdas, as que adotam, as que têm suas crias já um pouco maiores. Para todas elas (e também para os homens às voltas com as questões da paternidade) há algo que perpassa um outro registro, o registro do corpo.

O atendimento à gestantes e mães (só enxugando os termos, mas me referindo a todo esse espectro acima) não pode ser estático, imutável. Ele precisa acompanhar aquilo que cada cliente necessita em cada momento. Ele pode ser feito no consultório para quem chega ao consultório, mas também pode ser domiciliar para quem está em repouso ou com um recém-nascido. Ele pode ter as características de um atendimento psicoterápico/psicanalítico convencional, mas também pode ter suas próprias delimitações. Ele precisa ter conhecimentos de outras áreas: aleitamento, fisiologia da gravidez e do parto, parentalidade, perinatalidade... Precisa conhecer, mas sem com isso se transformar em um estandarte das boas práticas em saúde porque, repito, aqui se trata de subjetivação, não de normatização.  

É justamente isso que venho estudando com afinco, e trabalhando com o devido cuidado. E cada vez mais me sentindo encantada e realizada, novamente, com a profissão que escolhi tantos anos atrás.



quarta-feira, 5 de março de 2014

Sobre o blog

Já tem um tempo que venho me perguntando sobre a existência desse blog. Sobre continuar ou não escrevendo e, no caso de sim, de que forma e para quem.

Quem passa por aqui rotineiramente deve ter percebido que ano passado escrevi bem menos que antes. Uma média de um post por mês, o que é bem pouco mesmo para mim, que nunca tive a pretensão (ou mesmo aspiração) de postagens diárias.

Mas é que quando comecei (em agosto fará 4 anos!) de fato o que se via e lia em blogs maternos era bem diferente do que se encontra hoje. Eram mães falando sobre seus filhos, sobre as delícias e dificuldades da maternagem, sobre como cada uma lidava com as mais variadas questões. Era troca, era gente compartilhando, era amizade. E não falo de forma saudosista, apenas percebo que mudou.

No cenário de hoje, eu vejo de um lado blogs cada vez mais profissionais, trabalhando de forma ativa em produção de conteúdo, algumas vezes com muita qualidade, e tendo como finalidade a contrapartida financeira (e eu acho muito justo que mães ganhem a vida trazendo notícias e dicas de interesse para outras mães), e de outro lado blogs ativistas, que investem pesado em levar informação sobre humanização do parto, aleitamento, consumismo infantil, alimentação, etc. O que considero de muita importância. Mas não são o meu perfil, nem um nem outro.

O que eu me pergunto é: será que ainda há espaço para blogs em primeira pessoa? Para a escrita de uma mãe que lida com questões rotineiras da educação dos filhos, e que queira falar sobre isso sem tornar o texto um punhado de dicas ou um discurso inflamado? Será possível, por exemplo, falar sobre o desfralde (assunto que já apareceu muito por aqui) do ponto de vista da angústia da mãe que escreve, e não das recomentações da educadora/pediatra/psicóloga tal? Ou falar de amamentação sem militar pela causa?

Por outro lado, já recebi um monte de sugestões de gente que gosta do que eu escrevo. Já me falaram para profissionalizar o blog, mas sempre me peguei presa na minha liberdade (olha aí a ambivalência aparecendo, rá!). Como escrever sob qualquer demanda outra que não a minha? Como escrever o que talvez nem me viesse à cabeça se não fosse proposto por determinada marca? Como ceder espaço publicitário para artigos e produtos nos quais eu não tenha absoluta confiança? E como também - por que não? - melhorar meus índices de visitação para vender espaço e conteúdo quando eu sou o tipo de pessoa que nem entende do que estão falando quando me pedem um media kit?

Também me sugeriram utilizar o blog como divulgação do meu trabalho. E aí eu confesso que me sinto completamente perdida. Inicalmente o blog era realmente para falar de mim, através dos meus filhos. Sim eu sou psicóloga, sim eu sou psicanalista, mas aqui era o espaço da Ilana apenas. Da Ilana que é mãe, mulher e tem milhares de questões como qualquer outra pessoa.

Mas então que eu, além de mulher e mãe e psicóloga e psicanalista e tantos outros adjetivos resolvi direcionar meu trabalho para, justamente, o público-alvo desse blog, minhas leitoras queridas, as grávidas, as mães recentes, as mães nem tão recentes assim, as mulheres que têm dificuldade para engravidar, as que tiveram perdas e quem mais estiver nessa seara. E como divulgar esse trabalho num blog que até então foi estritamente pessoal, quando justamente o que se pede de um psicanalista é a impessoalidade? E como falar sobre o meu trabalho sem que isso seja lido como uma dica de profissional, como um saber fazer, como uma normatização? Como algo que vai na contra-mão de tudo aquilo em que eu penso, acredito e fiz até hoje?

E percebo também que não estou sozinha nesse barco. Tempos atrás a Dani Brito falou um pouco sobre esse sentimento de não poder mais vir de pijama blogar e eu amei essa metáfora, porque se encaixa perfeitamente com o que eu sinto (e fui reler o texto e descobri que ela já mencionava a Rô Lippi, com outro texto escrito bem antes), mais recentemente a Nat Catuogno também abordou o blogar pelo estrito prazer de blogar, e a Ananda falou dessa questão de outro ponto de vista. E tenho certeza que li mais textos assim por aí, que percebi que gente que escrevia e eu adorava não escreve mais, que mesmo a minha forma de abordar os assuntos mudou (e invariavelmente, as tiradas do Rapha que recheavam o blog de forma fácil e rápida acabaram indo parar na página do Facebook), e que ou se pisa em ovos ou se escracha de uma vez, e eu não quero nenhuma das duas coisas aqui. Não pretendo ter texto meu viralizando no Facebook, só o que eu quero é troca, compartilhamento de experiências e por vezes, rir um pouco, já que blogar é meu jeito de não levar as coisas tão à sério.

Perguntas e mais perguntas. Será que um dia eu encontro as respostas?


sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

O filho de quatro patas

Daí que eu estou me sentindo uma #mãedemerda, e a culpa é toda minha do cachorro.

Porque amanhã ele faz aniversário, ó que lindo. Sete anos! Sete anos cuidando e amando daquele que já comeu inúmeros chinelos, que me faz passear debaixo de sol escaldante e também debaixo de chuva torrencial, que pula em cima das visitas e não para até ganhar atenção, que late feito um condenado (principalmente quando as crianças estão dormindo) e que se sente no direito de rosnar e atacar qualquer outro macho que cruze o seu caminho.

Sete anos cuidando e amando daquele que está sempre ali, esperando por nós. Que me recebe cheio de alegria mesmo quando saio por apenas 10 minutos, que me lambe quando estou triste, que faz cara de esfomeado cada vez que alguém senta na mesa pra comer (e da última vez que eu sentei cansada no chão da sala pra comer enquanto via televisão, ele roubou a minha comida!), que fica bravo quando sentam no seu canto do sofá, que brinca de morder e sabe direitinho a força que pode fazer pra não me machucar, que foge do banho feito diabo da cruz e que aceita o carinho estabanado dos meus filhos sem reclamar. 

E por força das circunstâncias - leia-se feriado junto com aniversário de uma das vovós - ele vai passar o aniversário no hotelzinho. 

Num falei? #mãedemerda.

Alguém me diz que ele nem sabe o que é aniversário, por favor? 


quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Adaptando - parte dois

Tá achando que caiu de paraquedas e perdeu a parte um? Não, a parte um foi escrita três anos atrás, quando quem entrou na escola foi o Rapha. (Três anos? Jura??? Ju-ro!)

E agora, a vez do Nicolas.

Posso dizer que o garoto está se saindo muito bem. Foram duas semanas. 10 dias exatamente. E ele já foi considerado adaptado e passa as quatro horas na escola, brincando e socializando com seus amigos e com as professoras.

E eu não me aguento de tanto orgulho! Porque, gente, o que eu ouvi que esse menino ia sofrer, vocês não fazem ideia. Foi palpite de tudo quanto é lado, gente achando cedo, gente achando tarde, mas principalmente gente achando que, por ele ser completamente grudado comigo, as coisas seriam difíceis e ele sofreria muito.

Por que colocá-lo na escola com 1 ano e meio, então?

Porque, apesar de eu sempre ter tido vontade e disponibilidade para cuidar dele - e do Rapha também! - essa já não era mais a nossa realidade e o meu desejo. Eu me sinto imensamente feliz e realizada em cuidar dos meus pequenos. Por um tempo. Depois desse tempo, preciso voltar a cuidar de mim, e principalmente da minha carreira. Eu poderia pensar em contratar uma pessoa para cuidar dele enquanto trabalho, mas acredito que aí quem perde é ele. Não temos crianças da sua idade no prédio nem nenhuma pracinha com acesso fácil, à pé. E entre brincar sozinho em casa com alguém que não seja eu, ou brincar com outras crianças acompanhado por gente especializada, em um ambiente seguro e cheio de novos estímulos, eu optei pelo segundo.

Quais as minhas dicas para uma adaptação tranquila?

Esteja segura. Sim, o Nicolas é grudado comigo. Sempre fui eu que cuidei pessoalmente dele, carregava-o comigo para onde eu precisasse ir. Poucas eram as vezes em que ele ficava com outras pessoas, e eram sempre com pessoas conhecidas e em lugares conhecidos. Mas eu estava muito certa de que, dentro da nossa realidade, a escola é a melhor opção para ele e para mim.

Além disso, por ter o Rapha na mesma escola, já temos um relacionamento de três anos, que envolve, da minha parte, uma constante reavaliação. Eu sou o tipo de mãe que vai a todas as reuniões, faço questão de conhecer as professoras, ligo ou mando recado pela agenda quando acho necessário e não hesito em procurar opções quando algo não me agrada. E no geral, estou bastante satisfeita. Sim, tem coisas ali que não me agradam, mas isso terá em todos os lugares, e elas se restringem aos detalhes e não ao que eu considero fundamental quando penso na educação infantil dos meus filhos.

Ou seja, além de estar intimamente segura com a sua decição de colocar um filho na escola, é preciso ter confiança na sua escolha. E, se for preciso, visitar várias escolas (final do ano passado fiz isso novamente) e tirar todas as dúvidas antes de resolver qual delas receberá o seu (ou a sua - mania de falar sempre no masculino!) pequeno.

Depois da segurança interna e da confiança na escola, a outra coisa que você tem que ter pra uma adaptação tranquila é disponibilidade e tempo. Porque a criança precisa - ela própria - criar uma relação de confiança com a escola e com outro adulto de referência (principalmente nos casos de quem entra ainda bem pequena, como o Nicolas). Isso é uma transição que leva tempo e paciência para acontecer. E vale lembrar que quem dita esse tempo é a criança, e ela pode demorar um dia ou dois meses para percorrer esse caminho.

No nosso caso, ainda contamos com a ajuda do Rapha, que apresentou a escola e a professora - que já havia sido dele - para o Nicolas. E Nicolas, que ama e imita o irmão em tudo, está adorando usar o mesmo uniforme, dar um beijo-tchau pra mim na porta do elevador (ele que passou um ano inteiro dando beijo-tchau pro Rapha quando ele saía), e entrar de mãos dadas com o seu pequeno herói, para aquele espaço conquistado que agora é só deles.

E por aí? Como foram as adaptações dos pequenos?


* Eu escrevi um texto pro site da revista Crescer enquanto fazia a adaptação do Nicolas, numa semana especial sobre o tema. Quem quiser ler está aqui