segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Porque hoje é o dia dele

Porque hoje é o dia dele.
Porque hoje é dia de festa. Dia de comemorar.
Hoje é dia de bolo e brigadeiro.
Dia de abraço e beijo.
Dia de olhar pro seu sorriso e ter certeza de que tudo vale a pena.
Hoje é dia de repetir mil vezes o quanto nós te amamos. Muito, muito mais do quanto você diz que ama a gente (mas tudo bem, porque isso você provavelmente só vai entender quando for pai também).
Hoje é dia de alegria, de brincadeira, de ganhar presente, de assoprar velinha.
Hoje é dia de relembrar o dia de 5 anos atrás. O dia do seu primeiro oi, do seu primeiro colo, do seu primeiro abraço.
Hoje é dia de te encher de cócegas. Dia de te apertar bem apertado, e não soltar nem quando você gritar chega.
Hoje é um dia como outro qualquer.
Só que não.
Porque é um dia especial.
É o seu aniversário.
O seu aniversário de 5 anos!!!
Olha só que grande você está!
E por isso, só por isso, você merece ouvir uma vez mais o quanto te amamos.
Parabéns, Rapha!!!

terça-feira, 1 de julho de 2014

Baleia é a mãe!

Finalmente (sem comparações uma ova!), Nicolas resolve falar suas primeiras palavras. Ainda saem meio tímidas, na maioria das vezes você tem que saber o contexto pra poder entender, mas ei-las: estão aí, brotando de sua boquinha cada vez mais, às vezes surpreendentemente claras, às vezes uma tentativa de imitação das nossas, às vezes qualquer coisa indecifrável. Todas elas longamente esperadas, deliciosamente curtidas, altamente fofas e não minuciosamente anotadas, o que é uma pena.

A minha preferida, de longe, é quéco. Pra quem não entendeu, funciona assim: Nicolas, você quer comer? Quéco. Porque a criatura mal fala palavras soltas, mas conjuga verbo, vejam só. 

E daí a mãe aqui, animada com todo esse progresso linguístico do caçula, resolve estimular a falastrice do pequeno não sem antes considerar que talvez se arrependa muito em breve, com dois tagarelas incaláveis em casa, mostrando um livrinhos de animais.

Qual o nome desse (pato)? Papo
E desse (macaco)? Cacaco
E desse (leão)? Eão
E desse (peixe)? Têti
E desse (gato)? Caco
E desse (sapo)? Caco também
E dessa (baleia)? Mamãe.

Fim. 

quinta-feira, 15 de maio de 2014

A expectativa, a realidade e o aniversário


A expectativa


  1. Acordar com beijos, abraços e "eu te amo" dos meus três amores.
  2. Ganhar um presente bacana, com cartão, do maridão.
  3. Arrumar todo mundo pra escola e sair pra trabalhar (porque quando a gente ama o que faz, quer fazer mesmo no dia do aniversário).
  4. Coordenar o grupo de gestantes e mães. 
  5. Almoço delícia com as colegas.
  6. Resgatar e arrumar a criançada, ajeitar a casa, me arrumar.
  7. Receber a família pra comer um bolo.
  8. Botar os meninos capotados na cama e curtir o marido.

A realidade

  1. Acordei com choro de criança remelenta e com febre.
  2. Maridão acertou no presente, mas esqueceu o cartão.
  3. Nada de escola. Foi todo mundo é pra consulta com a pediatra.
  4. Precisei faltar no grupo que eu adoro.
  5. O truck com comida delicinha, justo ontem, não estava lá. As colegas queridas sim.
  6. Cheguei na casa da vovó e encontrei os meninos caidões e desanimados. Pra cortar o coração de qualquer mãe. 
  7. O bolo com a família foi adiado (mas teve um pequenininho só pra cantar parabéns).
  8. Meninos finalmente medicados e dormindo e eu e marido exaustos depois de praticamente duas noites sem dormir.

***


Porque quanto mais velha eu fico, mais percebo quais são as coisas que realmente importam nessa vida: ter saúde, amor, alegria, paz de espírito, cuidado com os outros e comigo mesma, e receber o carinho de quem é especial para mim, não importa onde e como. 
Apesar de tudo, e principalmente agora que eles já estão melhor, muito feliz. :D


quinta-feira, 8 de maio de 2014

#homens

Noite dessas marido chama a atenção pra algo que passava na televisão.
- Bonita essa aí, hein? Acho que é uma das mulheres mais bonitas da televisão.

Eu olho pra moça em questão e vejo: quilos e mais quilos de maquiagem.

- Realmente, ela parece ter os traços bonitos. Mas essa pele não é dela. Esses cílios, definitivamente, não são dela. E essa cabelão lindo, se metade for dela, já tá bom.

Ele escuta e concorda, mas acha exagero meu.

***

Há alguns dias, uma pequena alergia de pele acometeu justo ele - marido - e justo onde todo mundo vê - no rosto.

Algumas longas conversas com balconistas de farmácia, um monte de produtos testados sem grande efeito (e diga-se, nenhuma ida ao dermatologista) e ele resolve atacar minha necessaire.

- Hoje tenho uma reunião importante, não dá pra ir assim. Minha mãe (sogrinha, beijo procê!) falou de um negócio chamado BB cream. Você sabe o que é isso.
- Aham
- Cadê?
- É esse aqui. Usa só um pouquinho, que já é o suficiente.
- E base?
- Também tem, mas é mais pesado. Só o BB cream tá bom.
- Não, dá a base aqui.
E empastela o queixo.
- Tem mais alguma coisa?
- Tem corretivo, mas chega, não vou te dar!
- Pô, é fácil ser mulher...

E saiu todo pimpão pra reunião, de terno bem cortado, camisa passada, gravata lilás. E a cara toda rebocada.

#homens

***

E um beijo pra você que, como eu, é linda quando está montada e também de cara lavada.




terça-feira, 1 de abril de 2014

Momento ternura

Domingo de manhã.

Mãe tentando recuperar o sono e a sanidade perdidos.

Pai ocupado sabe-se lá com o quê.

Filho #1 assistinho filminho na televisão.

Filho #2 dormindo no carrinho, depois do passeio matinal com o cachorro.

Filho #2 acorda chorando.

Filho #1 vai chamar o pai, que responde com um "já estou indo".

Silêncio novamente na casa.

Pai vai ver o que acontece.

Filho #2 ainda no carrinho, tranquilo, olhando para o teto.

Filho #1 cantando e empurrando o carrinho.

Declarações de amor do filho #1 para o filho #2.

Abraços e beijos do filho #2 no filho #1.

Mãe e pai inundados de tanto amor.

Mãe e pai tendo certeza de que alguma coisa certa eles estão fazendo.

E depois de alguns minutos, volta-se à bagunça, gritos e empurrões habituais. Porque se amam, mas continuam sendo irmãos.  

sexta-feira, 28 de março de 2014

Até quando?

O assunto de hoje não é bebezístico, mas acredito que diga respeito a todas nós.

Ontem os grandes portais divulgaram uma pesquisa feita pelo Ipea em que 65% dos entrevistados concordaram que mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas. No meu facebook pessoal compartilhei o artigo do UOL, escolhido apenas porque ele ilustra o texto com imagens retiradas do tumbler de Grace Brown, que reúne retratos de pessoas abusadas sexualmente segurando cartazes com as frases ditas por seus agressores. E eu acredito que as estatísticas muitas vezes se tornam um tanto quanto abstratas, mas quando a gente dá cara para as vítimas, a coisa muda de figura.

Não sou boa em matemática, mas 65% é algo próximo de duas em cada três pessoas. Ou seja, aproximadamente duas em cada três pessoas acham que, por uma mulher estar com uma roupa muito curta, ou um decote muito amplo, ou uma roupa normal num lugar "perigoso", ou com uma atituda "permissiva" (porque é tudo a mesma coisa), essa mulher MERECE ser atacada. ME-RE-CE.

Isso tem nome. Chama-se culpabilização da vítima. É meio complicado explicar o que é culpabilização da vítima, então ontem eu, sozinha com meus botões, tentei fazer uma analogia. E a primeira coisa que me veio à cabeça é que seria como eu culpar o bolo de chocolate por eu tê-lo comido. Eu que comi o bolo, mas a culpa foi dele, que ficou ali na vitrine de doces, me provocando. Não importa se eu estou tentando emagrecer, se sou diabética ou se por qualquer motivo não posso comer bolo. Eu comi e a culpa é do bolo por ser gostoso e ter passado na minha frente.

Só que essa analogia é completamente tosca. E é justamente por ela ser tosca que se torna reveladora. Quando comparamos (e eu comparei!) pessoas, seres humanos, à bolo de chocolate, estamos nos aproximando da questão: pessoas não são coisas das quais podemos usufruir da forma que bem entendermos! Porque eu posso comer um bolo de chocolate se eu quiser (inclusive tendo que lidar com a culpa e responsabilidade de tê-lo comido depois). Mas eu não posso lidar com outro ser humano da mesma forma. Porque o outro não é um objeto, é um sujeito. Um sujeito com seus próprios desejos, sentimentos, pensamentos e crenças. E é disso que se trata: mulheres sendo objetificadas.

Outro dado aterrorizante que consta na pesquisa, é que 66,5% das pessoas que a responderam eram, justamente, mulheres. Ou seja, voltando à nossa analogia tosca, é o pão com manteiga falando do bolo de chocolate! Sem nem mesmo se dar conta de que são a mesma coisa. De que hoje o agressor quer comer o bolo de chocolate, mas amanhã ele pode querer pão com manteiga. Porque para eles ~tanto os agressores de fato quanto quem acredita que eles têm o direito de fazer o que fazem~ mulheres estão aí para servir e ser desfrutadas, completamente destituídas de sua subjetividade e humanidade.

Mais um dado: 27% acham que a mulher deve satisfazer o marido na cama mesmo quando não tem vontade. Ou seja, aproximadamente uma em cada quatro pessoas acredita que o corpo da mulher pertence a seu marido.

Gente, vamos parar pra pensar nisso tudo? Porque enquanto nós, mulheres, continuarmos pensando e agindo assim, enquanto nós não nos posicionarmos como sujeitos de nossa própria vida e de nosso próprio corpo que somos, e enquanto não pudermos reconhecer isso no nosso semelhante que muitas vezes é tão diferente de nós, isso nunca vai mudar.

terça-feira, 18 de março de 2014

O que é de cada um.

Um é tagarela. Parece que nasceu falando e não parou nunca mais. O outro, mal e porcamente fala uma meia dúzia de palavras. Quer dizer, murmura (as palavras, porque gritar ele também sabe bem).

Um é alpinista. Sobe no alto do sofá, cadeira, mesa, armário, grades, árvore e o que mais for subível. O outro é cauteloso, tem que conhecer muito bem o ambiente e suas próprias habilidades para se jogar no espaço.

Um é dorminhoco. Dá um trabalhão pra acordar de manhã e tá sempre com a tromba amarrada nos primeiros momentos do dia. O outro já acorda no pique, de preferência bem cedinho, querendo saber o que temos de bom pra hoje.

Um gosta de andar, explorar, sair correndo. O outro, se puder, prefere ir de carrinho.

Um é mais seletivo pra comer. O outro experimenta de tudo e, se for gostoso, come até pedra.

Um gosta de jogar, montar, entender, pensar e encontrar soluções. O outro prefere pisar em cima dos jogos. Ou desmontar. Ou espalhar todas as peças pelos cantos da casa.

Um tem medo de tudo. Vê siri na praia e sai correndo. Vê uma joaninha na sua perna e chora descontroladamente. Outro é corajoso. Foi o siri na praia que saiu correndo dele, e a pobre da joaninha, coitada, quase não vive pra contar a história.  

Um é determinado. O outro mais ainda.

Os dois são extremamente carinhosos.

Os dois têm grande dificuldade em ouvir - e cumprir! - nãos.

Os dois elegeram jiu-jitsu como o esporte da vez lá em casa. Rolam pelo chão, numa mistura de brincadeira com brigadeira que invariavelmente acaba em choro. E depois se desculpam e se abraçam.

Os dois amam água: piscina, mar, chuveiro, banheira, poça de lama. (E sinceramente, a poça de lama eles podiam pelo menos tentar pula, né?)

Os dois são inteligentes e espertos, cada um a sua maneira.

Esses dois são a parte mais colorida do meu mundo.


(E você, sabe quem é quem aqui em casa?)