segunda-feira, 6 de maio de 2013

Eu, rainha do lar

Assim que soube que esperava um segundo menino, ouvi de várias pessoas que eu iria adorar ser mãe de dois rapazes, pois me tornaria a rainha do lar.

Sim, eu adoro ser mãe de dois meninos. Amo. Tenho até uma quase certeza interna de que, se algum dia eu perder o que sobrou da minha parca sanidade mental e resolver partir pro terceirinho, vai ser mais um XY pra eu mimar loucamente.

Para falar a verdade, eu não me identifico com esse rótulo de rainha. Nadinha. Nem com o de princesa. Ou deusa, feiticeira, bruxa... Bleght pra tudo isso.  Prefiro mesmo é ser Mulher e pronto.

Mas eu realmente queria saber dessas pessoas queridas, essas que me disseram que eu teria direito adquirido à um trono simbólico dentro da minha própria casa.

Qual a graça de uma competição de arroto?

Quando eu vou poder assistir algo que não seja futebol (e olha que eu gosto, hein!) num domingo, na minha sala combinando o sofá berinjela com o papel de parede?

Mas, principalmente, o que há de majestoso em um festival de pum debaixo do cobertor num sábado de manhã?

Estão sentindo meu drama, gente? Sim, aqui são quatro contra uma. Até o cachorro entra na onda escatológica masculina. E eu já tô sabendo que a tendência é piorar.

Vou lá roubar uma das minhas sobrinhas pra colocar uns fru-frus e já volto.



quinta-feira, 2 de maio de 2013

Acontece nas melhores famílias

Porque não importa que você seja a melhor mãe do mundo.

Não importa que você cuide da alimentação do seu filho. Selecione os ingredientes, prepare com cuidado, dê com todo o carinho do mundo.

Não importa que você o proteja o sol, se preocupe em estender uma toalha, uma canga por cima e coloque-o sentadinho com brinquedos previamente escolhidos por serem apropriados para a praia.

Será exatamente naquele segundo em que você se virar para pegar a máquina fotográfica, o celular, água, o boné do mais velho, o que for, que o seu bebê vai resolver que areia é uma coisa muito, muito bacana. Não de brincar, claro. De comer mesmo.

Nicolas já anda aprontado as suas...



segunda-feira, 29 de abril de 2013

Os cem mil

E não é que de repente, não mais que de repente, esse blog alcançou a marca incrível de cem mil visitas? Eu sei que pode parecer pouco - e realmente é - pra muita gente por aí, mas pra mim é incrível mesmo.

Quando fiz o primeiro post lá atrás, duvidava seriamente que alguém leria isso aqui. A necessidade de escrever era interna, minha comigo mesma. Eu queria ter um pouco de registro, mas queria muito mais um espaço de diálogo. É um blog absolutamente pessoal, autoral, com recortes de vivências e pensamentos meus, nada mais que isso. Nunca tive a pretensão de fazer um blog grande, com inúmeros seguidores e leitores, nem fiz nenhum tipo de auto-promoção. Não que eu seja contra, mas mais porque sou realmente péssima nisso. rá!  Não tenho um layout bacanão (deu uma melhorada, mas ainda falta muito), não faço promoções (até poderia fazer, mas teria que correr atrás, né?), não divulgo em nenhum lugar, não coloco fotos nem imagens belas ou fofinhas - por pura preguiça, admito - e se eu já não escrevia com a frequência que eu gostaria, agora piorou. Passei dos meramente aceitáveis dois posts por semana pra vergonhosos dois posts por mês. Regularidade zero.

Mas é um cantinho todo meu, mantido com todo carinho, onde venho quando tenho uma história engraçada pra contar, quando preciso de ajuda, quando quero compartilhar. Um cantinho que me traz alegrias, que me deixa de bom humor. Que me aquece o coração quando revisito textos antigos. Que me trouxe novas e queridas amigas, de lugares que eu nem poderia imaginar. Um cantinho que me faz pensar e repensar sobre minha forma de maternar, e sem dúvida alguma sou uma mãe melhor por causa disso.

Então, pra você que chegou aqui pelo Google ou pelo link em algum outro blog, pra você que me conhece de além-tela e vem aqui saber as novidades dos meninos. Pra você que lê, que se identifica (ou não, afinal a maternidade é tão plural!), que ri e chora chora comigo. Pra você que comenta. Meu muito obrigada! Nada disso teria tanto sentido sem você.


quinta-feira, 25 de abril de 2013

Sim, ele come!

Pois é. Pode parecer besteira, mas um bebê que começa a comer é um grande passo. Gigante. Principalmente pra quem até então só mamava no peito. É um grande passo em direção à separação e à independência, dele e minha. Talvez por isso esse texto esteja demorando tanto pra sair... Comer é o primeiro sinal marcante de que meu bebezinho já não é mais tão bebêzinho assim.

***

Eu não acho que errei muito de forma geral na alimentação com o Rapha, mas uma coisa eu me prometi que faria diferente: não teria choro.  E o que fica absolutamente claro pra quem é mãe de dois é como cada bebê é diferente e tem as suas particularidades. E como eu sou uma mãe diferente também.

Fui procurar um marcador pra alimentação e descobri que ele não existe. Acho que nunca trouxe esse assunto antes porque, apesar de ser um dos grandes temas da maternidade, nunca tinha sido uma questão pra mim. Raphael sempre comeu bem. Em algumas fases comia melhor que em outras, mas nunca me deixou de cabelo em pé ou desesperada, como vejo outras mães sofrendo por aí com filhos que não comem.

Com o Rapha, comecei a introdução com frutas aos 5 meses (até então ele só mamava no peito) e passei pra papinha assim que ele completou seis meses. Uma semana almoço, na semana seguinte almoço e jantar. A adaptação foi bem rápida, só que hoje eu percebo que foi meio à força: lembro de nós dois chorando nos primeiros dias, ele porque queira o peito, eu porque achava que não tinha que dar o peito na hora da comida, mas tinha vontade e dó de vê-lo daquele jeito. Foi um Deus nos acuda. Passada essa fase, ele começou a comer muito bem obrigada, e hoje, mesmo estando mais seletivo - o que também é fase, espero eu -  continua comendo bem.

***

Com o Nicolas eu quis me demorar. Parece que a ansiedade que eu tinha com o Rapha de ir logo pra próxima etapa eu tenho ao contrário com o Nicolas.

Eu sabia que a pediatra orientaria a entrada das frutas e papinhas salgadas, então dei uma fugida básica da consulta dos 6 meses. Mas durou pouco. Logo entendi que, por mais que eu ame ser mãe de nenezinho, preciso deixar meu bebê crescer. (Comigo sempre por perto, claro!)

Comecei devagar, escolhendo os legumes com cuidado. Preparei eu mesma com carinho. Ofereci. E ele odiou. Cuspiu tudo, não quis. Resolvi que iria devagar, que nada precisa ser radical, que ele iria aprender a comer aos poucos, sem drama, sem choro, sem traumas. Das frutas ele não queria saber. Ofereci de várias maneiras e nenhuma fez sucesso. As papas salgadas, aos poucos ele ia aceitando um pouquinho mais. Fomos experimentando a consistência - mais aguada ou mais pastosa -, a temperatura, os gostos. Depois de mais ou menos duas semanas oferecendo almoço, achei que já dava pra oferecer o jantar.

Ele comia, mas comia pouco. Provavelmente o suficiente para aquele momento. Cheguei a ouvir que agora é que eu ia ver o trabalho que dá uma criança que não come, que já dava pra ver que ele não gostava de comer e coisas apocalípticas afins. Dei de ombros. Me fiei naquele ditado que diz que em casa que tem comida, criança não morre de fome. E segui em frente.

Aos poucos as porções foram aumentando. E agora o menino pede por comida, e fica todo feliz e contente quando avista o prato, a colher, o babador. Uma alegria de ver.

Com as frutas ainda está mais difícil. Ao invez de amassar ou raspar, comecei a dar a fruta inteira na mão dele, pra que ele se familiarize com o gosto. Tem funcionado.

***

As receitas.

Não sou uma grande cozinheira, mas estou curtindo fazer as papinhas e, ao invés de seguir receitas, tenho algumas como base e vou usando muito o bom-senso.

Via de regra cada pediatra tem uma receita. A da minha é a seguinte: 300g de proteína (carne magra de boi ou frango), 2 unidades de 2 tipos diferentes de legume e 2 unidades de 2 tipos diferentes de verdura. Grãos entrarão na próxima etapa. Cozinha tudo junto, separa a carne, despreza as folhas e peneira o resto. Isso deveria dar pra umas quatro refeitções. Depois de aquecida, já no prato da criança, um fio de azeite extra-virgem frio.

Bom, eu não sigo ao pé da letra. Sempre tem a carne ou frango, mas os legumes e verduras vou colocando de acordo com o que tem na geladeira e com o que eu acho que combina. Algumas amigas compartilharam receitas de papinha - olha que gente mais linda! - e eu vou prestando atenção nas combinações e adaptando pra gente.

O que já fez sucesso com o Nicolas (e comigo, rá!) por aqui foi abóbora com brócolis, abóbora com couve, batata com cenoura e chuchu, mandioquinha com couve-flor e espinafre (experimento meu que ficou delícia gente! quase não deixei pro Nicolas...), beterraba com mandioca. E outras tantas que não lembro. Difícil eu repetir uma receita, porque sempre tem coisas diferentes na geladeira.

Um dos contras de começar a alimentação é perder a praticidade de ter o alimento dele pronto na hora da fome, no lugar que for, na temperatura certa e sem precisar lavar nada depois. (Amamentação, continuo te amando loucamente!). Eu tento ser prática no que dá. O que implica congelar papinhas prontas em potes de vidro com tampa próprios pra freezer e micro-ondas, e também congelar alguns legumes crus. Dá pra fazer isso com mandioquinha, mandioca e abóbora. Volto da feira, higienizo, descasco, corto e já congelo nas porções certas para irem direto pra panela. Por enquanto peneiro a maioria das papinhas. Quando estou com muita pressa passo no mixer, mas é a exceção. Mais um pouco vou passar a apenas amassar com garfo. E se formos passear e tiver que dar a comida em algum lugar sem estrutura, esquento bem a papinha em casa e coloco em uma bolsinha térmica.

Outra dica da pediatra é amamentar pelo menos duas horas depois da refeição, ou mesmo evitar utilizar qualquer derivado de leite no preparo. Isso porque o cálcio impede a absorção do ferro. Não segui essa regra durante a adaptação, porque não ia deixar meu bebezinho que havia comido apenas duas colheradas morrendo de fome por duas horas, mas agora que ele come bem dá pra seguir a recomendação tranquilamente.  

Vale lembrar que o mais importante por aqui é fazer tudo com muito carinho e sem pressa. Sem pressa pra adaptar, sem pressa pra comer e sem pressa pra crescer.

( E se você tiver alguma ótima receita de papinha, ou sugestão de combinação, pode deixar aí nos comentários que eu vou adorar!)

segunda-feira, 15 de abril de 2013

As últimas do Rapha

Raphael e as profissões.

- Mamãe, acho que eu não quero mais ser mecânico.

- Por quê, Rapha?

- É que tem cheiro ruim. 

- Tá bom, filho. 

- Também não vou mais querer ser motorista de caminhão de lixo porque tem cheiro muito, muito ruim.

- Tudo bem, Raphinha, você ainda tem muito tempo pra resolver.

- Sabe o que eu vou querer ser, mamãe?

- O que, meu amor?

- O moço do posto de gasolina. Lá tem um cheiro gostooooooso...

OMG!


***

Pergunta auto-explicativa:

- Mamãe, por que eu tô na fase do porquê?

***

- Mamãe, vou te falar uma coisa que você vai apaixonar.

(e faz uma pausa)

- Eu amo você, mamãe!

(e interrompe meu amasso)

- Apaixonou???

♥ ♥ ♥

quinta-feira, 4 de abril de 2013

A tão temida pergunta

Ela chegou. Veio assim de mansinho, como quem não quer nada. Papo vai, papo vem, todo mundo no carro, o pai e a mãe conversando alguma coisa de muito tempo atrás.

- Mamãe, eu já tava na sua barriga quando isso aconteceu?

- Não, Raphinha. Isso foi muuuuito antes de você estar na minha barriga.

- E como o bebê entra na barriga?

Cataploft!

A mãe só não caiu pra trás porque estava presa pelo cinto de segurança. Já o pai... O pai riu, minha gente! Pode isso? O garoto faz uma pergunta cabeluda dessas, uma pergunta absolutamente importante para o seu desenvolvimento psíquico-emocional-social, uma pergunta advinda dos confins da sua inesgotável curiosidade infantil, uma pergunta um tanto quanto honesta, uma pergunta que eu absolutamente não estou preparada pra responder. E o pai ri. Sobrou pra quem?

Pro coitado do Rapha, que foi enrolado com uma resposta evasiva qualquer.

***

Acho que nunca contei aqui, mas tenho um certo trauma da tal história da sementinha.

Minha mãe engravidou da minha irmã quando eu tinha uns 3 anos e meu irmão quase dois. Diz a lenda (a.k.a. minha mãe) que quando ela veio contar pra gente que ganharíamos um irmãozinho ou irmãzinha, eu perguntei onde o bebê estava e, à resposta de que o bebê estava na sua barriga, eu arregalei os olhos e gritei: Mãe, você comeu o bebê!!!

Honestamente, eu não me lembro disso, para além de toda a mitologia familiar (olha que fofinha! a Ilana achou que a mãe tinha comido o bebê, bla bla bla). Mas imagino que uma pergunta tenha se seguido à outra e me contaram a história da sementinha. Três anos e pouco, tipo o Rapha.

E aí eu me lembro. Lembro que eu imaginei uma feira. Feira livre, sabe? Daquelas que a gente compra frutas, verduras e se acaba no pastel? Pois bem. Uma feira livre, só que só pra homens. Um clube do bolinha, só que cheio de brócolis, abacaxis, tomates, e tal da sementinha que só os homens têm. E na minha cabecinha, meu pai foi até a feira, comprou a sementinha e plantou pelo umbigo da minha mãe, fazendo com que o bebê crescesse pra dentro.

Ninguém merece crescer acreditando nisso, né?

***

Pois bem. Estou precisando de uma boa resposta pra próxima vez que ele perguntar.

Uma resposta tão honesta quanto a pergunta, verdadeira, que não embuta valores sexistas, adequada à idade dele e que responda exatamente na medida que ele perguntou, nem mais nem menos.

Parece tão mais fácil nos manuais...

quinta-feira, 21 de março de 2013

E o desafio ninja do dia é...

... Dar jantar pros dois ao mesmo tempo.

Sim, amiga. Você que está craque na técnica de alimentar o grande enquanto amamenta o pequeno, eu te desafio a dar jantar pros dois ao mesmo tempo.

Porque é lógico que teoricamente cada um janta no seu horário, às 17h e às 18h.

Porque é lógico que ao ouvir a frase "Rapha, mamãe vai dar jantar pro Nicolas e já vem", a resposta sempre é "Mamãe, eu também estou com fome. Pre-ci-so jantar agora."

Ok, sentamos os três. Um no cadeirão, outro na cadeira, eu no banquinho entre eles. E um só abre a boca com a música do leão. (Não conhece? Na jaula do leão, ninguém pode por a mão. O leão é muito bravo... Graaaaauuuuu - E abre uma boca enorme na hora do rugido - Fica quieto seu leão!) E o outro quer historinha. E não, não é uma historinha inventada. É de algum livro. E tem que ver as figuras. E não pode parar de contar pra enfiar a colher na boca do outro.

Quase dei macarrão com carne pro pequeno e sim, dei papinha pro grande, e só percebi depois com os protestos de que aquilo é comida de nenê. E eu achando que as minhas papinhas iam fazer sucesso. ha ha ha.

Tá fácil pra você? Quer mais difícil? Então bota papinha de beterraba aí pra ver o que acontece.

* Meus sinceros, honestos e admirados aplausos para as mães de três. Sério.

** Ops, acho que manchei uma roupinha...